domingo, 17 de outubro de 2010

POESIA PARA CRIANÇAS





O ELEFANTINHO

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Uma nuvem
 
lá no céu
 
se transformou
 
num bonito elefantinho.
 

Outra nuvem, já maldosa
 
de pirraça e sem graça
 
foi fazendo um ratinho.
 

Tão feio era ele
 
que espantou
 
o meu bichinho.

Carlos Alberto Francovig Filho

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BEM-TE-VI

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À tardinha
 
os galhos da árvore da rua
 
se enchem de passarinhos.
 

Uns brancos, outros pretos
 
vermelhos
 
azul
 
e um outro que tem o peitinho amarelo.
 

E todos dormem
 
nos galhos da árvore.
 

De manhãzinha
 
quando o sol está nascendo
 
todos vão embora.
 

E o passarinho do peito amarelinho
 
vai gritando:
 

— Bem-te-vi! Bem-te-vi!
 

Ora, ora
 
quem será que ele bem vê?
 

— Bem-te-vi! Bem-te-vi!
 

Carlos Alberto Francovig Filho
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O RATO

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Coitado do rato
 
nasceu pelado
 
na beira do lago.
 

Na beira do lago
 
nasceu sozinho.
 
Na beira do lago
 
nasceu bobinho.
 

Pensava que seu pai
 
fosse o pato.
 
Mas pato foi o rato
 
que entrou num balaio de gato.
 


Carlos Alberto Francovig Filho






Namorando a borboleta

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Borboleta que olha o céu,
 
Espaço de mel
 
Em potes de açúcar,
 
Bate a asa
 
Entre a chuva e a paisagem,
 
Bate a perna
 
Entre a água e o jardim.
 
Vento cai
 
Tão linda menina,
 
Azulada na minha piscina.
 
De amor conquistar
 
Em tão bela sina,
 
O casulo,
 
Borboleta-menino!
 

Cláudia Villela de Andrade
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O Cão e o Pato

Cão late, 
late, late
 
e não só:
 
late e anda,
 
anda, anda
 
e não só:
 

cão corre,
 
corre, corre
 
e não só:
 

cão pula,
 
pula, pula
 
e ula lá!
 

E não é tudo:
 
cão nada,
 

nada de tudo
 
pra pegar o pato
 

que não pára, não:
 
e nada também
 
pra fugir do cão.
 

Cão nada, nada
 
com a cabeça saltada
 
num nado de cachorrinho
 
que é devagar e feinho.
 

Pato nada elegante
 
e como tem pé de pato
 
e nadadeira de pato
 
nada bastante, bastante.
 

Porém o cão não desiste,
 
tem força de cão e insiste,
 
insiste, insiste, insiste.
 

De repente chega perto
 
do pato que, coitado,
 
mesmo com pé de pato
 
e nadadeira de pato
 
e a favor da corrente,
 
fica numa pior.
 

Ai meu Deus, que horror,
 
cão perto do pescoço,
 
boca aberta, um colosso,
 
dente afiado na boa.
 

Mas pato com cão no cangote
 
não faz nenhum fricote:
 
na hora agá, ele voa.
 

Cão volta então sem pato
 
mas não fica no abandono.
 




A voz lhe dá uma patada:
 
"Você fugiu, desgraçado".
 

E já em casa, coitado,
 
toma paulada do dono.
 

Celso Gutfreind
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